Abelard (1079 – 1142) e Heloise (1101 – 1162)

Abelard era filósofo e teólogo, de ideias vanguardistas. Defendia a racionalização do amor, onde os impulsos sensuais deveriam ser reprimidos pelo intelecto. Aos 38 anos era um renomado professor de Paris e ganhou a confiança do cônego Fulbert, tio e tutor de Heloise, então com 17 anos. Além da beleza, Heloise era dotada de cultura incomum para as mulheres da época, sendo Fulbert responsável por possibilitar e incentivar uma educação diferenciada para a sobrinha. Com a intenção de ver Heloise progredir nos estudos, ele contratou Abelard como seu professor. A admiração mútua foi o estopim de uma voluptuosa paixão. Abelard, contrariando suas teorias, se entregou aos prazeres da carne. Os cursos e os estudos, até então suas únicas paixões, não o entretinham mais.  A criada de Heloise relatou o romance para Fulbert que, furioso, proibiu o contato entre os amantes. Apaixonados, continuaram se encontrando escondido. Heloise engravidou e Abelard, temendo um escândalo,  a levou para ficar sob os cuidados de sua irmã. Ele voltou a Paris. Consumido pela ausência de Heloise, resolveu pedir perdão a Fulbert e a mão de Heloise em casamento. Para seu espanto, Fulbert aceitou o pedido prontamente. Casaram-se as pressas, mas o sigilo do casamento não durou muito e Fulbert virou motivo de chacota pela educação que havia dado a Heloise. Atormentado com a situação, comprou a peso de ouro um homem de confiança de Abelard, para que castrasse o amigo. Abelard foi mutilado nessa mesma noite. Desesperada pela culpa, Heloise caiu em depressão e refugiou-se no Convento de Santa Maria de Argenteul. Seu filho ficou sob os cuidados da cunhada. Abelard construiu uma escola-mosteiro ao lado do convento de Heloise. Nunca mais voltaram a se falar. Trocaram cartas de amor até a morte de Abelard, aos 63 anos. Estão sepultados juntos, no cemitério de Père Lachaise, em Paris. (RM)

 “Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo.”
Carta de Abelard a Heloise.

“É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo.”
Carta de Heloise a Abelard

Fonte: Correspondência de Abelardo e Heloisa.  Paul Zumthor.

Categorias: Uncategorized

Autor:reparei

"Se podes olhar, vê. Se podes Ver, repara." (José Saramago)

Assinar

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: