Clara Schumann 1819 – 1896

Clara Wieck nasceu em Leipzig, filha do renomado professor de piano Friedrich Wieck e de Marianne Tromlitz, soprano e ex-aluna de Wieck. Clara foi uma criança prodígio e cumpria uma rotina diária de aulas de piano, violino, canto, harmonia, composição e contraponto imposta por seu pai. Aos 9 anos apresentou seu primeiro recital público. Em 1830 Robert Schumann tornou-se aluno de Friedrich. Apesar de ser um talentoso pianista, não pode mostrar todo seu potencial devido um ferimento na mão. Tornou-se compositor e influente crítico. Entre 1831 e 1835, Clara apresentou-se pela Europa, enquanto trabalhava nas próprias composições. Foi nesse período que Schumann começou a cortejá-la. Em 1837, ele a pediu em casamento. Friedrich não deu seu consentimento e o casal só conseguiu casar-se 3 anos depois, com a permissão da Corte de Apelações de Leipzig. Entre 1841 e 1854, tiveram oitos filhos, dos quais um morreu na primeira infância. Em 1844, Schumann começou a sofrer de depressão e delírios. Recuperou-se, mas teve uma recaída em 1854, tentando se afogar no Reno, com Clara grávida do oitavo filho. Foi salvo, porém internado em um hospício, onde morreu, dois anos depois. Clara viveu 40 anos mais que o marido, criando os filhos sozinha, sendo que quatro deles morreram antes que ela. Passou sua vida ensinando e apresentando-se pela  Europa, tentando manter o legado do marido como compositor. Apresentou seu último concerto em 1891, aos 72 anos. Embora tenha escrito músicas desde pequena, declarou: “No passado acreditava que possuísse talento criativo, mas desisti dessa ideia; uma mulher não deve desejar compor – até hoje nenhuma foi capaz de fazê-lo. Eu deveria esperar ser essa mulher?” Abaixo a carta que ela escreveu a Schumann, em reposta ao pedido de casamento.

Para Robert Schumann

Leipzig, 15 de agosto de 1837 

Tu me pedes apenas um “Sim”? Uma palavra tão pequena – mas tão importante. No entanto, um coração tão cheio de indescritível amor como o meu  não deveria dizer essa palavrinha com toda a sua força? Eu o faço e minha alma mais profunda sempre sussurra para ti.  

Eu poderia descrever as dores do meu coração, as inúmeras lágrimas, mas não! Talvez o destino comande que nos vejamos em breve e então – tua intenção me parece arriscada, e, no entanto um coração amoroso não dá muita importância aos perigos. Porém, mais uma vez digo-te “Sim”. Será que Deus faria do meu 18° aniversário um dia de tristeza? Oh, não! Isso seria por demais horrível. Ademais, há muito sinto que “tem de ser”, nada no mundo me convencerá a evitar aquilo que julgo certo e mostrarei a meu pai que o mais jovem dos corações também pode ter um propósito inabalável.

 Tua Clara

Fonte: Cartas de Amor de Mulheres Notáveis. Ursula Doyle.

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Autor:reparei

"Se podes olhar, vê. Se podes Ver, repara." (José Saramago)

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