arquivo | junho, 2011

Saudade

No tempo em que eu me vestia de noiva, meu primo querido, Antonio Marcos também se vestia de caipira, na mesma Nossa Escolinha. Saudade dele, da minha avó e da minha mãe. Nostalgia Junina. (RL)

São João, São João acende a fogueira do meu coração

Adoro uma festa Junina. Os varais com bandeirinhas de papel de seda são pura poesia. Adoro também a pescaria, o jogo de argolas, o touro mecânico, maçã do amor, arroz doce, os churros, a sanfona, quentão e a acima de tudo, a quadrilha.  Já pulei muita fogueira, desviei da cobra e da chuva…já enfeitei minhas duas caipirinhas até quando foi possivel, agora elas se enfeitam sozinhas. Cavalheiros de chapéu de palha, camisa xadrez, bota de cowboy e bigode riscado. Damas com vestidos babados, xadrezes, tranças de mentira e pintinhas na bochecha. É bão demais. Engraçado isso. Porque quando eu era bem pequena festa Junina era um misto de alegria e constrangimento. Eu estudava na escola da minha avó. Chamava-se Nossa Escolinha. Claro que eu tinha o maior orgulho de ser a neta da dona. Mas também tinha a maior vergonha porque rolava uma proteção descarada e nessas festas adivinha quem SEMPRE era a noiva? Já me casei uns par de veiz!    (RL)

Viver ou conectar, eis a questão!

Nunca acreditei que o mundo vai acabar em 2012. Agora, quando chove em São Paulo essa possibilidade me parece bem plausível. Não apenas pelo caos do trânsito, as ruas alagadas e a sensação de terra de ninguém. Mas sempre fico sem luz. O meu mundo não acaba, mas desaba. Ficar vendo a bateria do celular, laptop e afins acabar é uma espécie de tortura moderna. Nessa última oportunidade fiquei 22 horas sem luz. Leia-se: 22 horas sem celular, sem e-mail, sem sms, sem computador, sem vida. Passei a vegetar. Diante de um mau humor insuportável, resolvi tomar um banho. E lembrei que estava sem secador. Em surto e com o cabelo da Elza Soares, fui até a casa de uma amiga colocar a vida e o cabelo em dia. E chegando lá descobri que apesar de estar desconectada, a vida continuava seu curso. Me conectei, senti que voltava a pertencer ao mundo, mas senti o incomodo da dependência: será que só vivo enquanto conecto? (RM)

Hamburguinho contra ataca

Quando eu tinha 18 anos o Hamburguinho da Faria Lima, esquina com Av. Cidade Jardim era o máximo. De lá pra cá…por favor não vamos contabilizar os anos…nunca mais fui. E exatamente agora, em junho de 2011, me bate um desejo infernal !! É que descobri um Hamburguinho pequenininho, novinho e vermelhinho  na Atilio Innocenti (Itaim) e outro também na Mourato Coelho(Vila Madá). Praticamente indomável  a vontade que eu tô de atacar um cheese bacon salada, maionese à parte. Cruel demais isso.     (RL)

Ponto do Brasil !


O dono do cabelo espetadinho não é meu parente, é só um figurante desse post. Ontem estávamos todos no Ibira assistindo o jogo da seleção masculina de vôlei contra Porto Rico. Foi fácil , vitória mole. Ahahaha fácil é contar que foi fácil né? Duro é jogar que nem os meninos jogam. Bom mas acontece que com a folga no placar pude reparar em várias coisas. Primeiro: Esse Bernardinho é uma figura mesmo. O Brasil lavando e mesmo assim ele enlouquece. Esfrega o rosto, arranca o fone de ouvido, anda de um lado pro outro, berra sem parar e o que é mais engraçado: no final, a mulherada faz igualzinho. Se empurram, se xingam e quase se matam  pra conseguir um autógrafo do cara! Quer dizer: bate que eu gamo. Outra coisa que me fez rir muito foi a dança do rodo.  Acreditem. Meninos e meninas de 20 anos, uniformizadas de Creme Nivea, entram na  quadra  segurando uns rodos enormes. Aí fazem uma dancinha se é que isso é possível tendo um rodo como  “partner” mas enfim….precisa ver pra crer.  Eu devia ter filmado mas em todo caso nosso figurante é testemunha.

Teve também a “ola” em câmera lenta que eu adorei, hino nacional à capela que eu engasguei como sempre, cheerleaders com seus pompons cintilantes, promoções impossíveis de ganhar entre um set e outro e no meio de tudo isso…3 vezes 25 pontos do Brasil. Show de bola pra nós e pro careca. Hoje tem mais vôlei e tem maratona nesse mega céu azul. Bora pra rua gente!               (RL)

Aleluia!

Queria ser uma pessoa mais disciplinada. Faço mil promessas todo ano e não cumpro quase nenhuma. Academia por exemplo. Sempre que vou a praia prometo que ano seguinte estarei melhor, mais sarada. E ano seguinte lá estou eu, mais embarangada. Línguas também. Viajo e prometo: Volto falando essa língua e… nada! Esses dias fiz uma nova promessa. Temos que passar o mês de julho no Rio. Prometi e, pior, prometi para as meninas que seria um mês sabático. Só uma faxineira uma vez por semana e no mais, faça você mesmo! Agora quero me jogar em frente a uma jamanta. Sou péssima como dona de casa. Começo no quarto, levo alguma coisa para a sala, esqueço o quarto pela metade, não termino a sala, vou para o banheiro e pelo cheiro de queimado lembro do almoço no fogão. Em suma, sou um DESASTRE! Que minha Nossa Senhora das Faxineiras olhe por mim. E Nossa Senhora das Corretoras  me aponte um apartamento bem equipadinho. Amém! (RM)

Só Ticando


Ontem fui atrás de despertadores digitais, aqueles que já vem de fábrica sem o tic-tac . Comprei 4. Que alivio. Tava me sentindo contaminada usando o celular como relógio de cabeceira. Espero que dê tempo de não ficar doente.

 Ontem também me livrei das cúpulas de abajur. Levei as minhas em petição de miséria e saí da loja com duas novinhas. Não são exatamente idênticas às anteriores mas estavam lá, no estoque, iluminando meu senso prático. Espero que os centímetros de diferença fiquem só entre eu e o abajur.

(Uma vez quis resolver assim zás trás o problema da minha cama e depois fiquei anos com um colchão maior que o estrado.)

Por fim ontem comprei 6 presentes. Ficou mais magra a conta bancária, o que é chato, mas também emagreceu a lista de pendências, o que é ótimo. Pena que  cheguei em casa e lembrei que ainda faltam 2.  Assim não dá. Vou ser obrigada a embrulhar aquele cachecol que minhas mãos esquerdas amestradamente tricotam. Quem será o felizardo? Sim  porque só consigo fazer um por inverno.    (RL)

Day by day

A criatividade sempre foi um mistério para mim. Dizia Schumpeter que nossa capacidade de criar se extingue aos 30 anos. Ele acreditava que até essa idade podíamos criar algo novo, ou uma nova maneira de fazer algo já existente. Para um grupo de acadêmicos, a criatividade tem relação com a teoria de impulso de vida ou morte de Freud. Segundo eles – que na minha opinião abusaram da licença poética –  quando gozamos de satisfação mantemos nossa vida inalterada (impulso de vida). O que nos move, que nos faz mudar, criar, alterar o estado das coisas é a insatisfação (impulso de morte). Lobão, o cantor, comentou em uma entrevista que nenhuma pessoa criativa é equilibrada. Portanto a minha dúvida é: você aí que já passou dos 30, não é insatisfeita e tampouco desequilibrada, faz o quê pra dar conta de filho, marido, trabalho e todas as outras milhões de coisas do dia a dia?!? (RM)

Mamãe Natureza

Filhas roubam sua escova de cabelo. Não guardam o secador. Perdem seu brinco. Esquecem o colar na casa da amiga. Filhas  emprestam sua echarpe de cashmere para a prima que a devolve com chiclete grudado e não é culpa delas. Filhas esquecem de agradecer e também não sabem o que fazer se a privada entope. Filhas se impacientam quando é preciso parar no posto de gasolina antes de chegar onde interessa. Filhas preferem viajar sem você. Filhas reclamam que não tem nada pra comer na despensa e quando tem mesmo assim não é nada que elas gostam. Filhas fecham a porta do quarto. Deixam toalha molhada embolada. Filhas pedem coisa o tempo todo mas não perguntam coisa alguma a seu respeito. Sempre quis ter duas filhas.  E tenho.  E ai de quem se meter a besta com elas. Eu viro bicho.     (RL)

MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE

Esse friozinho é mesmo uma delícia. Adoro chegar em casa e comer alguma coisa que combine com o clima. Semana passada, empolgadíssima com as cartas de amor, cozinhei. E não é que ficou bom? Fiquei tão feliz que decidi, ainda que sozinha, tomar um vinho para acompanhar minha massa. Escolhi um dos melhores – vai saber quando acerto fazer um prato novamente? Tomei duas taças, o que para mim é muito. Nem lembro o que aconteceu depois. Só lembro do despertador me acordando no dia seguinte. Lá pelas tantas me retornam uns e-mails que, sinceramente, nem lembrava que havia enviado. Sabe-se Deus o que mais eu fiz nesse momento transe! Enfim, resolvi na noite seguinte terminar o vinho que havia começado. Descubro que minha empregada – aquela do uniforme – jogou o vinho fora. Detalhe: não era um vinho qualquer. Indignada, comento com meu marido que comenta com um amigo que o consola: a empregada dele pegou um vinho CARÉSIMO e… fez sagu!!!  Advertência 1: se beber não digite.   Advertência 2: tranque, ameace, defenda a adega com sua própria vida, mas mantenha o vinho longe do alcance de empregadas. (RM)

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