Rebanho

Lá estava eu, às 8h30, na fila. Assim como eu, centenas de outras pessoas. Amontoadas, obedecendo as ordens, seguindo o fluxo, tal como gado. Dando fim a monotonia da espera, fui escolhida por uma senhora para conhecer a história da sua vida. Enquanto tentava ler, ela me cutuva, falava, gesticulava. Ainda que eu não tenha pronunciado mais que duas palavras, certamente quem nos visse diria que éramos amigas de longa data. A espera se tornava ainda mais longa. Me deram um número, minha senha, 2722. O visor mostrava 2435. Nesse intervalo ia conhecendo os pormenores da rotina da mais nova amiga. A revista que inutilmente tentava ler, não era uma restrição ao ímpeto de socialização dela. Fui chamada ao primeiro guichê, ela quis me acompanhar, quem sabe dar uma ajudinha, mas foi impedida. Ficou chateada. Na sua vez, foi ao guichê e de lá me acenava. Na espera entre o segundo e terceiro guichê soube dos detalhes dos pormenores da sua rotina. Finalmente fui chamada, respondi duas perguntas e fui liberada. Fui para a fila do último guichê sabendo mais da vida dela que da minha. E nesse último guichê, sem que ela me contasse, soube de mais uma coisa: ela não conseguiu. Consegui o meu, estoicamente. O que não temos que aguentar por um visto americano… (RM)

Categorias: Uncategorized

Autor:reparei

"Se podes olhar, vê. Se podes Ver, repara." (José Saramago)

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