Baliza

Atrasada como sempre, entrei em uma dessas ruazinhas para tentar cortar caminho. Com carros estacionados em ambos os lados, a rua permitia apenas a passagem de um carro por vez. Segui em frente e fui obrigada a esperar um carro estacionar. O motorista manobrava,  ia pra frente, voltava para trás, virava o volante, avançava, mais uma rezinha, e ainda que a vaga fosse generosa, o carro se recusava entrar. A fila atrás de mim começou a crescer. Lá pelas tantas, a porta do passageiro abre e desce um senhorzinho. Ele ficou na vaga ditando instruções que pareciam impossíveis para o motorista que se atrapalhava cada vez mais. O senhor começou a perder a paciência, colocava a mão na cabeça, gesticulava, fazia os movimentos que deveriam ser repetidos pelo motorista, em vão. O carro não entrava. As buzinas aumentavam. Que raios de motorista não consegue estacionar numa vaga dessas? Para piorar a situação aparece um caminhão no sentido oposto. Ficamos ele e eu com aquela visão privilegiada. Como as manobras continuavam sem sucesso e o senhor que orientava já estava tendo uma síncope, o motorista do caminhão deu uma ré e estacionou em uma rua transversal. Voltou em socorro do motorista e se prontificou a estacionar. Desce então do carro uma senhorinha, por volta dos seus 80 anos. Animada, agradece a ajuda, não sem antes mencionar que sempre estacionou muito bem, mas que na companhia do Geraldo (o senhor) tudo fica impossível. Irritado, Geraldo proíbe o motorista do caminhão estacionar seu carro. Vai que é um ladrão e leva o carro embora? Nem pensar. O motorista então sugere que o próprio Geraldo estacione. A beira de um ataque de nervos, Geraldo pergunta se o motorista é imbecil ou quê? Obvio que se ele soubesse dirigir o carro já estaria na vaga! Atônito, o motorista do caminhão resolve buscar seus documentos para comprovar que não é ladrão e que pode estacionar o carro. Enquanto o motorista seguia em direção ao caminhão, Geraldo fez um sinal para mulher que voltou para o carro. Pé na tábua, seguiram em frente cantando pneu… E ficamos o motorista e eu sem entender nada, ao som das buzinas que nao cessavam. (RM)

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Autor:reparei

"Se podes olhar, vê. Se podes Ver, repara." (José Saramago)

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um comentário em “Baliza”

  1. Carlos
    26/11/2011 às 21:01 #

    vc é uma escritora maravilhosa. Literalmente vi a cena com cores, sons, gestos…. enfim, de camarote. Posso até testemunhar, tá!!!

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