Meu primeiro amor

Ontem, lendo a história da Filó e do Rambo, lembrei do meu primeiro amor. Eu devia ter uns 5 ou 6 anos, estudávamos na mesma sala. Ele tinha duas qualidades que considerava essenciais em um menino, era engraçado e corria muito. Passava a manhã inteira observando o Robson e, à tarde, suspirando, esperava a manhã seguinte. Brincávamos juntos e quase morria de taquicardia quando a professora nos colocava no mesmo grupo. Um dia, brincando de polícia e ladrão, ele me pegou. Segurou meu braço e perguntou ‘quer ser minha namorada?’. O mundo parou. Não enxerguei mais nenhuma criança correndo, não escutei os gritos e o sinal do recreio, nem a professora mandando entrar na sala. Só existia o Robson. Com a maturidade dos seus 6 anos, fez o pedido e mortificado pela vergonha, correu se esconder atrás de uma árvore. Lá o encontrei para dizer ‘eu quero’. Nada mais na vida tinha importância. Era namorada do Robson. Fui para casa e como todo grande acontecimento, a notícia tinha que ser dada em um momento mais solene. O jantar me pareceu o momento apropriado. Contei, diante dos meus pais e da minha irmã que, enfim, estava namorando o Robson. E que quando aceitei, ele me deu um beijo. Infelizmente, meu pai não ficou tão feliz quanto eu com o Robson. Ouvi algumas coisas sobre idade, moralidade, momento certo e por fim, que estava proibida de namorar. Meu mundo caiu. Mas só Deus sabe do que uma mulher é capaz quando ama e eu estava disposta a lutar por esse amor. Abandonei o jantar pela metade, fui para o meu quarto, peguei minha mala, uma camisola, escova de dente e um pacote de biscoito. Voltei para a sala e anunciei que ou meu pai me deixava namorar ou eu iria embora. Pode ir, foi a resposta que ouvi. Os pais sabem desconcertar um filho. Fiquei lá, com o coração partido e com a malinha em punho, sem saber o que fazer. Resolvi mostrar que não estava brincando, atravessei a mesa com passos voluntariosos e na porta avisei ‘estou indo mesmo’. Pode ir. Fiz a única coisa que poderia naquele momento, abri a boca a chorar. Voltei para meu quarto, inconsolável. Com o coração e o orgulho despedaçados descobri, aos 5 anos, que o amor pode nos levar do céu ao inferno…num piscar de olhos. (RM)

Categorias: Uncategorized

Autor:reparei

"Se podes olhar, vê. Se podes Ver, repara." (José Saramago)

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12 Comentários em “Meu primeiro amor”

  1. Vera Melchert
    04/01/2012 às 21:01 #

    Simplesmente sensacional esse seu reparei. Bjs

  2. Tinno
    04/01/2012 às 21:01 #

    hahahahahahahahahahahahahahahaha!!!!!!!
    ADOREEEI!!!!!!!

  3. Mônica Villar
    04/01/2012 às 21:01 #

    Rejane, mais uma vez amei e me emocionei com seu texto! Voltei a minha infância! Demais, adorei! Grande abraço!

    • 05/01/2012 às 21:01 #

      Obrigada Monica!! Adoro seus comentários. Bjs e Feliz 2012!!

  4. Carlos
    04/01/2012 às 21:01 #

    ci-ne-ma-to-grá-fi-co

    • Carlos
      05/01/2012 às 21:01 #

      Se você não tivesse narrado na primeira pessoa eu não teria dúvida de que a personagem era a Isabela. Descobri de quem ela herdou a veia dramática.
      Muiito bom. Muita saudade. Tia Joyce do Curumim.

      • 05/01/2012 às 21:01 #

        Joyce!! Que alegria ver vc por aqui! E sim, as vezes (só as vezes), também acho que a Bella tem a quem puxar… Bjs

    • 05/01/2012 às 21:01 #

      Depois conto mais detalhes…essa história rendeu!! Bjs e saudades

  5. André Guerra
    04/01/2012 às 21:01 #

    Adorei Rê! Acho um luxo saber o que é sofrer por amor….coitado de quem não sofreu.

    • 04/01/2012 às 21:01 #

      Oi Dé!! Luxo é saber que você visita o reparei!! Esse texto é da Rejane, com quem divido o blog. Bjs saudades, Renata

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