arquivo | janeiro, 2012

Desembestadas

Mulher é um ser pra lá de incoerente. Basta um casamento na família e pronto, todo mundo fica lelé. Se for madrinha de altar então, perda total. É o meu caso. Por conta do casório que se aproxima, deletei sem dó as coisas que prometi na Bahia. Como pode? Ontem passei das 2 da tarde às 7 da noite “caçando” vestidos. Eu e outra madrinha, unidas na missão suicida.

O briefing é simples: não pode ser estampado, precisa ser liso mas de uma cor que não seja muito chamativa. Clarinho demais também não. Brilho e pedrarias nem pensar. Tem que ser curto e tem que ser chiquérrimo.

Imaginem a alegria da vendedora: dos 10 modelos que ela traz do estoque, oito a gente reprova, um é bonito mas a cor “não me cai bem” e o último é legal mas “sei lá, falta um tchans”. Isso de loja em loja, com direito a água e cafezinho. Quando terminar a maratona do figurino – que ainda tem chão -, começa a dos acessórios. Meu marido acha isso uma insanidade. Pois é. Pobres homens que só aproveitam a festa…na festa.  (RL)

Minhas tardes com Margueritte

Há pouco tempo vi uma pesquisa sobre a importância da amizade. O quanto ela é responsável pelas nossas decisões e pelo rumo que tomamos em nossas vidas. Ao assistir Minhas Tardes com Margueritte lembrei dessa pesquisa. O filme retrata uma amizade improvável, entre uma senhora nonagenária (Margueritte) e um homem de meia idade (Germain). Ela, culta, delicada, suave. Ele, ignorante, bruto, atrapalhado. Se conhecem através dos pombos do parque que frequentam: ela lê para os pombos, ele os alimenta. Tornam-se indispensáveis um para o outro. O filme recheado de situações deliciosas – a maioria delas fruto das trapalhadas e da ingenuidade de Germain – é uma história de amor.  Um amor compreensivo, sensível e inspirador. Uma amor como só a verdadeira amizade conhece.  (RM)

Remédio para assalto

Essa semana testemunhei um pequeno ‘case’, que ilustra o quanto a comunicação direta, reta e rápida ainda é mais importante que outras firulas, quando se trata de gerenciar uma marca. Houve um assalto no Valet Parking do Shopping Iguatemi. 2 horas da tarde, cheio de manobristas por perto, o ladrão chegou junto e levou o relógio de um cliente. Logo apareceu um alerta no Facebook que foi como fiquei sabendo. Na sequência das postagens vi uma propaganda do próprio shopping, que aliás é bem ativo no FB. Claro que não resisti e comentei ironicamente sobre o assalto. Depois “saí do ar”, fui fazer outras coisas e quando voltei (demorei pouco), meu inbox acusava uma mensagem. De quem? De uma moça do Iguatemi que, muito profissionalmente, pedia que eu entrasse em contato para que eles pudessem esclarecer os fatos. Gostei da prontidão, gostei da empresa mostrar uma cara, com nome e telefone, ao invés de se esconder atrás da figura jurídica, gostei da maneira como trataram essa vulnerabilidade, que é o lado B das mídias sociais. A maioria das empresas ignora ou foge da raia. Não fui assaltada mas sim, fui remediada. O shopping chegou junto, sem contra atacar, sem querer me levar no lero. Tão mais simples e eficaz essa atutude né?   (RL)

Más notícias

Cheguei em casa ontem e encontrei esse bilhete da minha filha mais nova. (RM)

Estava ouvindo o noticiário hoje e não ouvi uma boa notícia. Um barco afundou faz três dias, descobriram que 6 pessoas morreram e 15 estão desaparecidas e acusam o comandante. Um policial matou uma pessoa e feriu uma outra. O estado do Rio de Janeiro está alagado. Um carro estava indo em uma velocidade muito grande e bateu no poste, o poste caiu sobre o carro, o motorista só  conseguiu se salvar atirando-se pela janela. Um bando de manifestantes protestando contra as medidas econômicas do governo deixam mais de 30 pessoas feridas. Uma dona de casa foi encontrada morta com o rosto transfigurado*.

Agora eu entendi porque as pessoas preferem novela.

*Provavelmente, ela quis fizer desfigurado.

Adeus Filó

Sábado foi um dia daqueles. Acordei feliz por estar de volta em casa, depois de uma semana maravilhosa na Bahia. Mas a alegria durou pouco. Tocou o telefone e então soubemos que a Filó, ela mesmo, a namorada do Rambo, tinha morrido. Chorei, fiz café, chorei mais um pouco. Que remédio. Meu marido disse que ela foi a cachorrinha que ele mais gostou na vida. Acho que eu também, acho que a Julia também, acho que a Bel também.

O dia poderia ter terminado assim, meio “borocoxô”, meio silencioso. Mas lá pelas 8 e meia da noite tocou o interfone, era o porteiro avisando que tinha uma sacola no elevador pra nós.

Se fosse chocolate já teria adoçado esse dia difícil . Mas era muito mais que isso, era carinho feito a mão, por 4 mãos especiais. Chorei de novo, dessa vez por me sentir tão querida. Compartilho o bilhete que recebi e que me emocionou demais. Pra quem não conhece, a Re é a RM, coautora desse blog. A melhor amiga que alguém pode ser.  (RL)

Saudade

Minha filha está nos Estados Unidos e enviou essas duas fotos por e-mail. Em 2001 ela tinha 9 anos de idade e morávamos na casinha amarela, em Brookline, que fica a 10 minutos do centro de Boston. Me deu uma saudade danada: da Ju, da casa na Cypress Street, da vida que levávamos lá, dos vizinhos, até do frio me deu saudade. Hoje acordei em São Paulo, mas preferindo ontem, na Bahia ou em Brookline. Olha cada foto mais bonitinha. Me segurei pra não começar o post com “Meu querido diário” porque tem dias que bate esse sentimento esquisito, vontade de passar o dia inteiro mergulhada nos albuns. Como não dá pra voltar no tempo, vou me enfiar é no supermercado mesmo. Em frente que atrás vem gente.   (RL)


Nota 10 ou nota 1000?

Quando os números se revelam histórias nos fazemos humanos.  A dispersão da cracolândia apresenta os seguintes números: 78k de lixo, 15k de maconha, 0.63k de crack e 3.607 pessoas passaram por revista. Dona Beatriz não faz parte dessas 3.607 pessoas. Dona Beatriz em números é assim: 68 anos, R$ 622 de pensão, R$ 70 por dia de trabalho como faxineira, 1 filho viciado (que está detido), 1 nora viciada, 1 neto ainda no ventre, R$ 250 de aluguel num quarto/sala em Pirituba, caminha 3h por dia até encontrar a nora para entregar 3 potes de macarrão com salsicha e R$ 10. A história de Dona Beatriz é feita de números. E, mesmo assim, nenhum número faz jus a uma mulher como Dona Beatriz. (RM)

Nem venham

As 5 mulheres do post de ontem cortariam os pulsos se estivessem aqui, em Corumbau. Não tem badalação, não tem shopping, o máximo que dá pra comprar é colar de sementes do artesanato Pataxó.

Não tem cascata de champagne.

Quadra de tênis também não tem.

É um lugar que força a convivência com o próprio marido, com os próprios filhos.

Que tem tudo a ver com salto alto, joias e paetês.

No jardim tem galinha d’angola, lagartos, rãs e também alguns pernilongos no fim da tarde. TV só em 2 ou 3 quartos. Não tem sinal de celular. O hotel fica ao lado de uma área de conservação ambiental, cercado por uma selva de palmeiras, bromélias e amendoeiras. Muito perigoso. A cidade mais perto fica a 1 hora e meia de carro.

E só pra garantir que as pobres mulheres ricas jamais se hospedem aqui, acrescento  que o calor da Bahia costuma derreter toda a maquiagem. (RL)

Ai, que loucura!

Semana passada estreou esse programa Mulheres Ricas. Não assisti, mas acompanhei as críticas no dia seguinte e fiquei curiosa. Ontem eu assisti. É inacreditável. O argumento até me pareceu interessante, mas o programa é péssimo em todos os sentidos, do formato a edição. O programa sai do nada e vai para lugar nenhum. Ao contrário das críticas que li, acho temerário ostentar em horário nobre, mas se a abordagem fosse outra, poderia até servir como incentivo. Nosso país oferece condições de crescimento, a cada dia 19 pessoas se tornam milionárias no Brasil. Se Mulheres Ricas não focasse apenas na futilidade da própria condição, mas em como essas mulheres conquistaram ou mantém esse padrão, o programa poderia ter alguma utilidade. Em um país emergente, considerado a bola da vez, onde a chance de ascender socialmente nunca foi tão real, seria bacana o povo aprender a lidar com o dinheiro. Mas não é o caso: o dinheiro é usado como um fim em si mesmo. É a identidade dessas mulheres, o maior atributo de todas elas. Ao menos é o que o programa tenta passar. Não consigo acreditar que essas mulheres retratem as mulheres ricas do nosso país. Se for assim, prefiro continuar como sou, rica de saúde. (RM)

Fisgada

Se eu tivesse algum talento pra fotografia, esse seria um post bem mais apetitoso e eu não precisaria contar com palavras o que a imagem contaria muito melhor. Mas vamos lá. A comida aqui é elegante sem ser metida a besta. As porções são na medida,  daquelas que turista americano encararia como aperitivo mas quem se importa com a opinião deles(?). Sempre duas opções de entrada, duas de prato principal. O mar é a vedete em todas as refeições. Sexta a noite, comemos pupunha assada no forno de barro, seguida de lagosta, camarão, peixe e legumes na brasa. Sábado jantamos peixe com crosta de ervas e purê de banana da terra. Domingo, arroz de polvo. Dá até uma tristezinha levantar da mesa, no café da manha. Frutas frescas, iogurte com granola e mel, torradas integrais, tapioca de todos os jeitos, ovos mexidos, tostex, bolo de maracujá, fubá, e outras coisitas mais. Quase tudo feito aqui mesmo,  e servido ‘gentilíssimamente’, por pessoas que nasceram e cresceram nas vilas ao redor do hotel. Estamos passando mais que bem, obrigada. O jantar de hoje será acompanhado por lua cheia nascendo no horizonte, no mar, bem na nossa frente. Nem o Ferrán Adriá seria capaz de oferecer coisa melhor. Aliás, se eu fosse ele viria aprender a fazer mandioca frita aqui. Passe o sal por favor! (RL)

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