arquivo | maio, 2012

Adeus saladinha

Tudo bem que o inverno é a estação mais chique do ano, que botas de cano longo são muito mais elegantes que sandálias rasteiras, que dormir no quentinho é uma delícia, que secar o cabelo com secador passa a ser até agradável.

Mas nada disso me convence. Sou uma pessoa básica e o verão combina comigo porque é uma estação simples: menos roupa, menos maquiagem, menos comida gratinada. Por isso resisto e sofro quando o calor vai embora. Passo semanas sentindo frio, ignorando a temperatura real. Saio de casa só com uma jaquetinha e volto tiritando no fim do dia. Com tantos agasalhos no armário, não entendo o por que desse auto flagelo. Sabe aqueles bebês que as mães imobilizavam, enrolando os coitados em um montão de flanelas? Não fui um deles. Mesmo assim, detesto vestir um casaco por cima do outro, me sinto presa, meio amarrada. Mas o que mais irrita, o que desanima e me faz desejar ser um grizzly bear prestes a hibernar é pensar que tecnicamente o inverno nem começou…e eu já estou morrendo de fome.  (RL)

Dia dos Namorados

Recebi, como sugestão de presente para o Dia dos Namorados, esses chinelos personalizados:

 Dá para escolher a cor e o que vem escrito.

Depois é só sair por aí deixando rastro.

Mas se você como eu mora em uma cidade que não tem praia e a  única chance de deixar um rastro é pisando em caca de cachorro, não se desespere. Sempre existem os clássicos… (RM)

I feel love

Pra mim, Donna Summer não é uma imagem.  É um som. Não é uma pessoa, é uma geração. Com todo respeito, ela nos pertence. Fez parte da minha adolescência de uma forma tão vibrante, tão intensa, que agora nem consigo sentir tristeza. I feel love. Acho que é porque ainda tenho aquela ‘discoenergia’ impregnada no corpo. E olha que faz tempo. Não relaciono Donna Summer nem com vídeo clipe, nem com capa de disco e nem com música de rádio. Ela era a discoteca inteira: o corpo, a voz, as luzes, o suor, a pista de dança bombando. Na minha calça Fiorucci branca, na matinê do Papagaio’s, eu era a própria Bad Girl. Toot toot ah beep beep. Eu era ela.  (RL)

Revendo conceitos

Uma coisa bacana que a idade proporciona é desdizer tudo aquilo que já dissemos. Passei minha vida propagando aos 4 ventos que adoro comer, mas odeio cozinhar. Não sei muito bem como me meti nessa situação, mas o fato é que hoje não desgrudo do fogão. Me atrapalho, me queimo, me corto, erro o ponto e me divirto feito uma criança. Vou ao shopping comprar roupa e volto carregando colheres e espátulas. Felicidade para mim é uma loja de utensílios culinários. Eu, que afirmei mais de uma vez que ganhar qualquer presente para a casa é motivo de divórcio, agora mordo minha língua. Meu marido está viajando. O que quer que eu leve, me pergunta. Perfume, creme, roupa, bolsa… Quero um jogo de panelas. Ele apenas ri. Não sei se tem medo do divórcio ou do que terá que comer. Melhor refazer o pedido… (RM)

Fila de espera

Ontem a Eletropaulo baixou por aqui e cortou a luz das 10 da manhã às 6 da tarde. Passei o dia improvisando, fugindo da escadaria e quando finalmente encarei os 10 andares, miquei num apartamento meio escuro e off line. Um acontecimento tolerável, é claro, mas tudo ficou mais difícil. Estamos acostumados a ter conforto e facilidades e só quando de fato experimentamos a falta é que nos damos conta disso. Me lembrei de quando morávamos nos Estados Unidos e a classe da minha filha participou de um projeto para sentir na pele como é a vida das pessoas com alguma deficiência. A Julia escolheu amarrar um dos braços ao corpo, precisou se virar com um só por 12 horas. A dificuldade ficou bem registrada, compreendida na prática e eu achei a ideia muito boa. O filme abaixo promove uma experiência parecida; durante alguns segundos a pessoa sente a dificuldade, se assusta e logo depois cai na real. Outra ideia muito, muito boa.  (RL)

A campanha é da Young & Rubicam .

Maratona

Há algum tempo meu marido vem planejando correr uma maratona. Conseguiu conciliar a agenda para correr em fevereiro. Cumpria o treinamento, mas por um contratempo profissional, teve que cancelar a viagem. Encontrou outra prova, fez a inscrição, refez o treinamento, reservou hotel, passagens… Na semana da viagem minha sogra passou por uma cirurgia de emergência e por pouco não cancelamos a viagem novamente. Meu marido foi sozinho, chegou sábado às 23h. Às 7h da manhã seguinte estava na largada. Um amigo que mora na cidade, sabendo que a semana tinha sido puxada, resolveu ajudar. Pegou a bicicleta e foi fazendo o percurso com meu marido. Alcançaram os primeiros 10km com facilidade. Com 20km o cansaço começou a aparecer. Quando chegou no km 30 vários participantes já haviam desistido.  No km 33, sem sentir as pernas, dominado pelo cansaço e sem dormir por quase uma semana, resolveu desistir. Mas o amigo não deixou. Continuou motivando, sem dar trégua para o cansaço. E assim seguiram pelos 9km seguintes: cansados, sem força, incentivando um ao outro. 4 horas após o início da prova, cruzaram a linha de chegada. Cumpriram 42km, sem qualquer expectativa. Apenas com a certeza de que não se chega a lugar nenhum sozinho (RM).

Mordomia

Tenho duas amigas bem próximas que, assim como eu, tem filhas mulheres. Elas, as meninas, são 1 ano mais velhas que a minha primeira filha, Julia. Resulta que eu e a Ju aprendemos muito com a experiência recente delas. Por exemplo: a Ju quando fez intercâmbio na Nova Zelândia, ficou hospedada na mesma família que a Manu, filha de uma dessas amigas, que tinha viajado um ano antes. Idem com o  ‘mochilão’ , daqui a 1 mês e meio. Elas repassaram roteiro, dicas, valores, etc. Ano que vem a Ju irá  passar 6 meses na Europa, fazendo outro intercâmbio, dessa vez pela faculdade. Já sei tudo sobre o curso, graças à Mariana que nesse momento está na Espanha, fazendo exatamente isso. Então, pensando no Dia das Mães, resolvi  escrever e dedicar esse post a elas, minhas queridas amigas Luiza e Renata, que, com seu know how e carinho, vivem abrindo caminhos e facilitando a minha vida de mãe.     (RL)

Feliz dia das Mães!

Uscafusca

Como Nossos Pais é aquela música do Belchior que a Elis transformou em hino, e que tem um pedacinho assim:

mas é você que ama o passado e que não vê

mas  que meu  marido sempre cantou, assado :

…mas é você que é mal passado e que não vê

Eu, quando era adolescente, tocava  Juventude Transviada no violão. E cantava, na maior boa:

…uma moça sem mancada, uma mulher, mulher ‘vivacila’

Mancada mesmo já que o que o Luis Melodia escreveu é:

 …uma mulher, não deve vacilar

Quem nunca deu uma rata dessas levanta a mão. Nossa filha de 19 anos, aos 7 ou 8, soltava a voz numa interpretação bem fermentada de Lamento Sertanejo, do Dominguinhos e do Gilberto Gil:

…eu quase que não consigo, ficar na cidade sem beber Schincariol  

quando, na verdade,  o lamento dizia:

…eu quase que não consigo, ficar na cidade sem viver contrariado

Lembrei desses micos porque ontem, na mesa do jantar, conversando sobre propaganda, o namorado dela perguntou sobre o comercial do Uscafusca.

– – –

Ué, não é Uscafusca aquele da Net?  (RL)

Filho ou algoz?

Dois filhos que não tive me apavoram, Sean e Luciane. Sean representa o medo de ser esquecida. Foi o que vi na entrevista que ele concedeu no final de abril. Não sei se o discurso foi preparado, se é verdadeiro, se ele está feliz. Sei que a família dele no Brasil foi riscada do mapa. Para ser feliz com a avó, teve que anular o pai. E agora com pai, tem que a anular a avó. Amar um em detrimento do outro. Será ele o único caso? Já Luciane não se sentiu amada pelo pai, de quem receberá uma indenização pelo mesmo motivo. E esse caso me arrepia. Que a justiça garanta o sustento material é mais do que justo. Mas como é possível mensurar afeto? Amar é faculdade, cuidar é dever, disse a ministra. Pais amam e filhos nem sempre se sentem amados. Já acusamos nossos pais e, em algum momento, seremos acusados. E agora poderemos ser processados e sentenciados. Nossos filhos, indenizados. Hoje os dois casos figuram nos jornais. Em breve, casos e mais casos deixarão os jornais para se tornarem estatísticas. Criamos um filho. Quem cria o algoz: nós, a sociedade ou o Estado? (RM)

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