arquivo | julho, 2012

Evolução Natural

Entre o vinho português do jantar de ontem e o Liebfraumilche que meu marido comprava na loja de conveniência do posto de gasolina, passaram-se 20 anos. Também foi mais ou menos nessa época que viajamos juntos pela primeira vez para os Estados Unidos. Num carro alugado e com um carnê de hospedagem pré paga da rede de motéis Vagabond Inn, rodamos por toda a California. Não importava a cidade, as colchas das camas eram sempre idênticas, as piscinas com cerquinha de madeira também. De Vagabond em Vagabond, de hamburger em hamburger, foi ótimo.

Aí cresci.

Atualmente prefiro hotéis com algum charme e vinhos mais equilibrados. Gostar de hamburger ainda não superei. Evoluir é bom. Tem que valer a pena ficar mais velha.  (RL)

Memória

Leio mais de 100 páginas e gravo apenas uma frase. Acontece também quando estou conversando. De tudo o que é dito, guardo um ou dois diálogos. No museu é a mesma coisa, trago na memória uma ou duas obras. Da refeição guardo o sabor mais marcante. De gente nova, gravo o rosto, nunca o nome. Da infância, as brincadeiras. Tudo o que me rodeia ou desperta minha atenção, minha memória guarda involuntariamente sem obedecer uma lógica. Nem sempre gravo o que é mais importante. Guardo apenas aquilo que brilha diante dos meus sentidos. (RM)

Ganhei, ganhei, ganhei

Não foi na mega sena, não foi competição esportiva, não foi bingo nem sorteio.

Ganhei uma briga na justiça, aquela ação contra a decolar.com. Fiquei tão feliz, mas tão feliz, uma alegria inclusive desmedida já que a sentença a meu favor foi, simplesmente, o cumprimento da lei. Tem horas que o poder judiciário funciona gente!

Quem conhece o artigo 49, do Código de Defesa do Consumidor? Bem, lá está escrito que o consumidor tem um prazo de 7 dias para desistir de qualquer compra feita pela internet. Portanto é ILEGAL cobrar multa por cancelamento de reserva, que foi o meu caso. O argumento ‘politica do hotel’ não tem como se sobrepor ao Código, isso caracteriza enriquecimento ilícito.

Fiz uma reserva em julho de 2011, para um fim de semana em outubro. Cancelei no dia seguinte e crau, tomei uma multa equivalente a 100% da estadia. Nao paguei. Orientada pelo Procon, entrei com uma ação no Juizado de Pequenas Causas, o processo foi gratuito e indolor. Na ultima quinta feira veio a sentença:  ganhei, ganhei, ganhei.

Aposto que muitas pessoas nem imaginam como é fácil ter direito ao respeito. Por isso escrevi esse post.  (RL)

 

Vermelho

Genial essa campanha do Vitória da Bahia. Como estoque de sangue da cidade estava muito baixo, o Hemoba lançou a campanha ‘Meu sangue é rubro-negro’.  A cor vermelha foi tirada das listras do uniforme, que ficou alvi-negro, e na medida que as doações forem aumentando o vermelho volta dar vida às listras. As doações já aumentaram em 46%.

Falando em vermelho, ontem fomos assistir  a peça que leva esse nome. No palco Antonio Fagundes é Mark Rothko e Bruno Fagundes é Ken, seu assistente. O texto é incrível. Trata da relação antagônica entre os dois, que divergem em ideias e ideais, mas  acabam se encontrando ao longo da peça, para novamente se distanciarem. Ao fim do espetáculo, surpresa: os atores voltam ao palco para um bate-papo delicioso. O espetáculo é tão bem cuidado que, ao terminar o bate-papo, ainda temos uma pequena exposição sobre os artistas que são citados na peça. Imperdível. Fica em cartaz só até o dia 29 desse mês, melhor correr. (RM)

Natureza Selvagem

Alguém já experimentou dar Dormonid pra cachorro? E Lexotan? E Stilnox? Sei lá, só uma ideia.

Acreditem. Fotografar esse traste chamado Panda é missão suicida.

O bicho é maluco beleza.

Nesse caso: Panda em alta velocidade, câmera em baixa, fotógrafa muito cansada.

Basta. No dia seguinte, acordei preferindo os objetos inanimados.

Mas até das frutas tomei um olé. Quando me dei conta e resolvi trocar a uva feia por uma bonita, enquanto tentava acertar o foco, a claridade bacana que entrava pela janela pinicou da cozinha. Nem ela, a luz, para quieta no lugar.

Tipo Panda.  (RL)

Vamos fugir deste lugar, baby

Lendo esse texto da Eliane Brum percebi como as atrocidades vão nos embrutecendo. Marie Nzoli choca tanto pelas histórias que conta, quanto pela forma que conta. É o horror presenciado tantas e tantas vezes que é contado assim, sem desespero, sem lágrimas. A convivência diária com a violência não nos torna imunes ao horror – tanto é que ela montou uma organização para combatê-la – mas cria uma couraça. No Brasil também temos os nossos horrores e ouvimos e contamos também sem lágrimas e desespero. Um caso a mais, como tantos outros que virão. Uma criança no sinal pedindo esmola ainda choca? Não deveria cortar o coração um menino de 5,6,7 anos com fome? Não sei se ela ainda continua fazendo isso, mas quando morava em Curitiba, minha irmã antes de sair dava uma passada na cozinha e pegava uma ou outra fruta que ninguém comeria. Assim fazia com um pacote de biscoito, uma sobrinha do almoço. E no caminho para o trabalho quando pediam dinheiro nas esquinas, ela dava comida. Quando leio um livro, vejo um filme, ou frase que incita uma atitude para mudarmos o mundo, me dá uma inquietação. Bilhões de pessoas tentando mudar o mundo?! Prefiro as pessoas que  fazem dele um lugar melhor. Seja criando uma organização para combater a violência, ou baixando o vidro do carro para dividir a comida. (RM)

Meu corpo está acostumado

Acomodada, eu? Pode ser.

Se é porque prefiro estar com pessoas que já conheço, já curto, já me sinto a vontade, então, sim, sou acomodada.

Se é porque tenho paciência zero pra fila em restaurante da moda, pra festas que começam a meia noite e pra badalação em geral, então, sim, sou acomodada.

Mas prefiro pensar que sou é acostumada. Bem acostumada. Acostumada com as coisas que eu gosto. Adoro repetir restaurantes preferidos,  sair com amigos queridos, amo estar com a minha família. Graças a Deus, passo grande parte do meu tempo em casa mesmo. Tenho esse costume. Ontem no jantar, só pra ‘nóis’, o marido e eu, fiz spaghetti com molho de tomate e laranja, aproveitei uma farofa sequinha que sobrou do almoço e salpiquei por cima. Ficou mega bom. É com esse tipo de coisa que estou acostumada. Ou acomodada. Tô nem aí se for esse o meu adjetivo. (RL)

Doce da Giugiu

Caímos na besteira, minhas filhas e eu, de assistirmos ao filme Chocolate.  Já era tarde, filminho de fim de noite. Quem assistiu sabe e quem não assistiu saiba: quando o filme acaba, sem se dar conta, você estará comendo chocolate desesperadamente. Chocolate em barra, chocolate derretido, chocolate em todas as suas formas. Folheamos receitas e mais receitas e fizemos um doce delicioso. Desse doce restaram duas claras e chocolate meio amargo. E aí vem a receitinha da minha filha mais nova: as claras viraram suspiro, o chocolate virou cobertura, colocamos morango/abacaxi e amêndoa caramelizada…

E isso é só o começo. Ainda temos umas 5 receitas e 50000 calorias pela frente. E uma vontade que não acaba… (RM)

Jerry Gênio Lewis

Se na década de 50 eu existisse, queria ser homem, americano, artista, comediante, cantor, eu queria ser ele, Jerry Lewis. Topava inclusive a aparência duvidosa.

Foi a vontade que deu depois que assisti esse video. Ai como deve ser bom ter um talento assim dentro da gente.

Se eu fosse você, hoje, agora, imediatamente, eu assistia. Bora clicar! (RL)

Obsessão

Cada vez mais acredito que só dá certo na vida quem é obsessivo naquilo que faz.  Talvez esteja sugestionada, mas acabo de ler a biografia do Steve Jobs. A obsessão dele com a perfeição beirava a loucura. Fui assistir Para Roma com Amor e fiquei pensando: de quantas neuroses  é feito um Woody Allen? Chegando em casa vi uma entrevista  da Marisa Monte onde ela comenta a necessidade de manter tudo sob controle para a estreia de um show. E arrumando os livros abri sem querer em um dos discursos do Betinho para erradicar a fome. Todos, de uma forma ou de outra, obsessivos com aquilo que fazem ou faziam. E, mais do que isso, todos são ou foram apaixonados pela atividade que escolheram. Seja para mudar o mundo, torná-lo mais divertido, sensível ou humano é preciso, definitivamente, ser obsessivo. E se é preciso ser obsessivo para dar certo, que a paixão seja nosso combustível. (RM)

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