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Que venha 2016!!

“Venham amigos,

Não é tarde para procurar um mundo novo

Eu existo para velejar além do pôr-do-sol

E apesar de não termos a força que nos velhos tempos mexia com a terra e os céus,

O que nós somos, nós somos

Uma boa índole

E corações heroicos

Enfraquecidos pelo tempo, mas fortes na vontade

De lutar,

Persistir,

Encontrar

E não hesitar.”

Alfred Lord Tennyson

Homenagem a todos os atletas, técnicos, preparadores, fisioterapeutas, médicos e demais profissionais que nos últimos 16 dias atenderam por um único nome: Brasil. Honra não está na vitória, mas na vontade de lutar. (RM)

Que lugar é esse?

Parecem casas de um condomínio. Os tijolinhos a vista harmonizam com as telhas e com a madeira dos caixilhos. Entre cada construção há espaço pra correr e brincar.

Porém, outra foto do mesmo lugar indica que pode ser uma fábrica. Fábricas tem chaminés. E, pensando bem,  se fossem casas as portas seriam mais bonitas.

Talvez seja uma escola, quem sabe até um campus de universidade.

Que lugar é esse? Se a pergunta fosse feita há 70 anos, as 3 alternativas estariam corretas.

Eram casas porque lá viviam pessoas, um número inacreditavelmente grande de homens, mulheres e crianças. Era uma fábrica porque lá funcionava uma linha de produção, onde os funcionários se apresentavam diariamente, enfileirados e uniformizados. Era um centro de estudos pois lá aconteciam experiências e pesquisas.

As imagens são de Auschwitz, na Polônia, por onde passamos ontem, no dia 6 da viagem pelo leste europeu.

Dentro das ‘casas’, prisioneiros viviam como ratos. Aos nazistas só interessava aumentar a produtividade da fábrica de extermínio. Antes de morrer, crianças serviam de cobaias, no laboratório do Dr. Menghele.

(RL)

Um amor para recordar

Descobriu o amor esses dias, aos 13 anos.  O sentimento é tanto que abraça todos a sua volta, inclusive os que não lhe deram intimidade.  A razão lhe falta e apenas os poetas lhe falam. Os olhos no horizonte e o sorriso aberto denunciam a mente perdida em devaneios. E assim segue os dias, cultivando o sentimento mais puro e clássico da juventude, o amor platônico. Se há algo de maravilhoso na fantasia é a ausência de censura. O amado é integrante de uma banda britânica e não faz ideia da existência dessa alma perdida de amor. O amor é assim. Quanto mais absurdo, mais ele cresce. E se inflama. (RM)

Outras perspectivas da vida

Terça feira, 4 da tarde, em Budapeste.

Quarta feira, 11 da manha em Esztergom, na Eslováquia.

Quinta feira,  3 da tarde, próximo a Cracóvia, na Polônia.

De vez em quando, reparar na vida dos outros faz a gente ajustar a nossa.  (RL)

Saudade

Dia desses Renata escreveu aqui sobre saudade. Aquela saudade que existia antigamente, quando alguém ia passar um tempo fora e ficávamos quase sem notícias. Agora, com sms, skype, face time… mais parece que viajamos juntos. Pois a minha história é só para ilustrar essa observação da Re. Meu marido está viajando desde o dia 22/07. Nosso contato é mínimo, o tempo dele é bem escasso e ele não é muito adepto a torpedos e coisas do gênero. Nem por isso me faltam informações: nossos aparelhos (iPads e iPhones) compartilham fotos, ou seja, ele tira foto lá e instantaneamente recebemos aqui. Fico sabendo onde foi, o que achou bacana, quem encontrou e por aí afora. Sem trocarmos uma palavra, um texto, sem clicar em enviar. Posso ser bem tacanha, mas acho incrível os aparelhos trocarem fotos sem qualquer ação humana. Naquele tempo, em que a saudade consumia, jamais poderia imaginar que seria tão fácil compartilhar as novidades sem precisar esperar o retorno de quem está longe. Entre a saudade e a interatividade, fico com segunda. (RM)

Brunoise ou Passé

Já que resolvi cozinhar, resolvi fazer direito: comecei um curso de gastronomia. E ontem, na primeira aula, me dei conta do quanto a perfeição depende de técnica. Do quanto é difícil fazer como deve ser feito e que a perfeição, antes de ser impossível, é uma inspiração. Cozinhar é como fazer ballet. O resultado depende da execução, a execução depende da técnica e a técnica depende de movimentos precisos. Movimentos que são repetidos várias e várias vezes até que se tornem orgânicos. Ao dominar a técnica é possível transpor a dor, sentir a música e transformar movimentos em poesia. Para quem, como eu, sempre se valeu muito mais de instinto, se valer apenas de técnica torna o aprendizado ainda mais difícil. Desisti do ballet na adolescência. Agora, depois de mais de duas décadas, não tem brunoise, julienne ou chiffonade que me derrube. (RM)

Dia 1

Saem de Viena, na Austria, 33 pessoas em 20 motos: 10 casais, 10 pilotos sem garupa e 3 guias. Todos Brasileiros menos os guias que são alemães sendo que um deles tem parentes no Rio Grande do Sul e nos diverte com seu português importado. O grupo se conhece de outras viagens, eu e o Ricardo somos os únicos de fora mas zuzo bem, vamo que vamo, nada como o espírito de férias e um interesse em comum, já estamos enturmados.

A parafernália não é pouca e as motos são grandes. Precisa calça especial, bota, protetor de coluna, jaqueta toda cheia de 9 horas, capacete e luvas; o aspecto fica no mínimo bruto, digamos técnico pra não dizer que é feio. As mulheres dão jeito de disfarçar, enrolam lencinho no pescoço e tal, mas claro que uma ou outra acaba desobedecendo e vai de jeans, bota ‘normal’, casaco sem ombreira nem cotoveleira. Na cabeça dos alemães isso não entra meesmo, devem ter pesadelos toda noite, temendo a insubordinação do dia seguinte.

Com ou sem uniforme partimos antes das 10, em dois grupos (assim não caracteriza procissão e a pilotagem fica mais legal).  As 7 da noite estacionamos no hotel, no centro de Budapeste, os 33 sem nenhum arranhão. O único perhaps: não sabíamos que entre uma cidade e outra se interporia o deserto do Saara. Posso falar? 35 graus na sombra e eu vestida de Telle Tubbie. Ahaha amar é derreter numa garupa e achar fofo picolé húngaro.  (RL)

Órfãos de heróis

A cada 4 anos acompanhamos o quadro de medalhas. Esse ano nos foi dito que poderíamos chegar a 15 ou, segundo o ministro dos esportes, 23 medalhas olímpicas. Não sabemos seus nomes, modalidades e muito menos o que andaram fazendo nesses últimos 4 anos. Sabemos que são atletas que estão lá, em nome do nosso país, atrás dessas medalhas. Aconteça o que acontecer, não é o momento de valorizar o esforço, a trajetória, a superação. Não importa contra quem tiveram que lutar e se, antes de vencer o adversário, tiveram que vencer a si mesmos. Da mesma forma, pouco nos interessa se durante esses 4 anos tiveram a estrutura necessária para treinamento, se contam com um campeonato nacional competitivo ou como fizeram para participar de campeonatos internacionais. Queremos medalhas. Quando elas não chegam, queremos desculpas. Queremos heróis. Queremos chorar em frente a TV, queremos provar para nós e para o mundo que somos uma grande nação. Queremos triunfar. Um país carente de exemplo como o nosso, deveria contar a história dos 258 atletas que compõem a delegação brasileira em Londres. Triunfo não é feito apenas de resultado. Com ou sem medalhas, vamos descobrir que não somos órfãos de heróis. Nossos heróis é que são órfãos de reconhecimento. E patriotismo. (RM)

Diante da morte

Demorei para ler as últimas páginas da biografia do Steve Jobs. Não por desencanto ou preguiça, simplesmente porque não queria que ele morresse. Assim que terminei, engatei outro livro, O Chalé da Memória, de Tony Judt. Em 2008 ele teve o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que primeiramente paralisa os membros, em seguida o pescoço e maxilar e por fim os sistemas digestório e respiratório. Os ensaios que compõem o livro são conseqüência de noites insones por conta da doença. Na tentativa de desviar a atenção da paralisia, de uma coceira ou de um desconforto da posição, recorria às memórias. As memórias viraram reflexões, que viraram ensaios, que viraram livro. Historiador britânico, Tony Judt lembra Steve Jobs apenas pela origem humilde. E pela morte anunciada. Do futuro temos o vazio. Eles tinham prazo para expirar a própria existência. Quando tomei coragem de ler as últimas páginas da biografia de Jobs e ao ler as memórias de Tony Judt, senti que no precipício de sentimentos que envolve esse momento, diante da morte não tentamos valer mais do que ninguém, ou ser mais do que ninguém. Tentamos apenas deixar um legado que se perpetue, que nos mantenha vivos. E acima de tudo, que demonstre que a nossa vida foi uma jornada que valeu a pena. (RM)

Urbanidade

Acabo de aprender que urbanidade significa bons modos. Cortesia, delicadeza, polidez. Está no jornal de hoje pois dizem que faltou isso ao procurador -geral da República, na acusação aos réus do mensalão. Lendo e aprendendo. Procurei no dicionário e encontrei também um sinônimo: civilidade. Antes de saber, eu relacionaria a palavra urbanidade apenas com urbano, que tem a ver com cidade. Enfim, lembrei dessa foto que tirei recentemente, num museu americano. Adorei a forma como eles solicitaram a tal da urbanidade.  (RL)